quinta-feira, 28 de junho de 2012
Balotelli, um poço de adjetivos
Denúncias de que jogadores estariam envolvidos em esquemas em casas de aposta não são novidades para a Itália e a Squadra Azzurra. Como não lembrar de outros casos similares no passado recente, e distante, do futebol da Bota? Páginas negras em um livro repleto de boas histórias, e boas histórias pedem bons personagens. Atualmente, um nome destaca-se dos demais como a síntese do "anti-herói".
Mario Balotelli não é normal em quesito algum. De origem ganesa, foi abandonado pelos país no hospital em que nasceu. É alvo fácil para as atrocidades racistas que, vez ou outra, surgem covardes nas arquibancadas. A respeito disso, prometeu "matar" quem ousasse ofendê-lo dessa maneira. Seu penteado é esdrúxulo, seus hábitos, repreensíveis. Roberto Mancini, técnico do Manchester City, já declarou ter conversado com o atacante a respeito de cigarros e bebida. Alguém acredita que surtiu algum efeito? Basta lembrar da mensagem na camisa exibida pelo atacante após um gol sobre o maior rival, o United: "Por que sempre eu?", perguntou.
Super Mário já é folclórico. Reza a lenda que ele passou a noite de natal em um pub distribuindo drinks e dinheiro para os presentes. Temperamental, já saiu no tapa com jogadores do próprio City durante treinos sem importância. Atirou dardos nos meninos do time juvenil, apenas por diversão. Simples assim. Seus vizinhos o odeiam pelas farras que promove em sua mansão, que inclusive já teve um banheiro destruído por uma inocente brincadeira de Balotelli: soltar fogos de artifício sob seu próprio teto.
Desta vez, o incendiário jogador decidiu pôr fogo em campo. Balotelli é ruim de cabeça, mas passa longe de ser doente do pé. No Estádio Olímpico de Varsóvia o anormal, esdrúxulo, repreensível, folclórico, polêmico, enfim, "o Balotelli", poço de adjetivos, marcou duas vezes e garantiu a Itália na final da Eurocopa. Os gols serviram também para afastar um pouco mais as acusações de manipulação de resultados que pairavam - e ainda pairam, apesar de tudo - sobre alguns de seus colegas de equipe.
Mas e ele próprio? Ao selar o destino de Alemanha e Itália na Euro, Super Mario não se enquadra como um "manipulador"? Confrontado, Mario Balotelli diria, sem papas na língua e com um sorriso jocoso: "Culpado, Meritíssimo".
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