Muitas vezes já vimos jogadores talentosos se encolherem diante do "Efeito Bombonera". Arquibancadas lotadas de torcedores insanos do Boca Juniors, cantando - ou melhor, berrando, urrando - suas músicas, agitando bandeiras e faixas, saltando. O estádio é uma coisa viva, opressora, e o próprio ar que se respira lá dentro é diferente. Quem já esteve lá, naquele gramado, sabe qual é a sensação - e em segredo torcem para nunca terem que vivê-la novamente.
O apelido é no diminutivo, mas a frieza é imensa. Romarinho é um jovem de 21 anos que, depois de uma interessante prévia em sua estreia pelo Corinthians no Brasileirão, entrou em campo ontem em uma final de Libertadores. Contra o Boca. Em Buenos Aires. Perdendo por 1 a 0.
Naturalmente muitos julgaram a atitude de Tite precipitada. "Pressão demais sobre os ombros do menino", poderiam dizer, com razão. Mas Romarinho entrou em campo para deixar todos embasbacados. Cara a cara com o experiente goleiro Orión, e porque não dizer com toda a torcida argentina que ocupava as bancadas atrás do gol, o "mini-Romário" deu um sutil tapa na bola. Um gol de importância imensurável para a vasta história do clube paulista.
Foi apenas o segundo jogo de Romarinho pelo Timão, mas que já pode eternizá-lo na memória da Fiel. No caso da conquista do título inédito, um novo personagem já surgiu para enriquecer ainda mais o panteão de heróis do clube. Melhor do que isso, menino é protagonista improvável, um salvador desconhecido em meio a jogadores muito mais rodados, uma grande surpresa que há 15 dias ninguém imaginava ter. Romarinho e seu gol ontem tem a cara do Corinthians.
Impossível não lembrar do homônimo genial do nosso passado recente. Há semelhanças, especialmente na naturalidade em que ambos encaram a oportunidade de gol. Ao contrário de muitos atacantes, esses dois lidam com a ação de colocar a bola na rede da mesma maneira como passam manteiga no pão na hora do café da manhã. É hábito, instinto...
Será que o Papai do Céu também apontou para esse Romário e designou um novo "cara"? O tempo dirá.
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